Domingo, 28 de Dezembro de 2008

De estilingue a vidraça

Hélio Consolaro

Na vida, os desafios vão surgindo. Como gosto de enfrentá-los, não me omiti. O prefeito eleito Cido Sério (PT), cumprindo compromisso com a Conferência Municipal de Cultura de ter um secretário de Cultura do meio, resolveu me convidar para o exercício do cargo.

Venho trabalhando a política cultural de Araçatuba desde 2003 na construção da cidadania, quando assumi a presidência da Academia Araçatubense de Letras.

Para mim, a literatura não pode se isolar da questão cultural, não é um mundinho à parte. Lembre-se do Barzinho da Academia, do Barracão Cultural na Expô de 2004, do Fórum Cultural e mais recentemente da elaboração do documento "Carta aos Candidatos", como secretário do Conselho Municipal de Cultura...

Agradeço a meus amigos que me acompanharam nesta jornada e que continuarão comigo nesta nova etapa, principalmente os acadêmicos AAL, o Grupo Experimental da AAL, membros do CMC e ultimamente a plenária do setor cultural convocada pelo prefeito e vice eleitos: Cido Sério (PT) e Carlos Hernandes (PDT).

Sei que minha indicação não agrada a todos, mas vejo muitos sorrirem de satisfação quando souberam dela. Prometo promover a cultura da paz, da inclusão, praticando uma visão holística do mundo, ou seja, sendo ponte, conforme manda São Francisco de Assis. E não frustrar quem tem a procuração do povo para governar Araçatuba, Cido Sério, meu assessor, quando fui vereador (1983-88), amigo de tantas batalhas. Quero ser a extensão dele na Cultura.

O croniqueiro perdeu a graça, agora vai ser vidraça. E que mande pedras boas para que eu possa com elas construir obras sólidas. Deixo de ser o bobo da corte para participar dela.

Hoje, me despeço de meus 33 leitores. Sugeri ao jornal que contrate o Malulão, o Dunga, Marilene Magri ou vereador não eleito para fazer o Ponto Cego a partir de 2009. Afinal, estarão com mais tempo.

Sábado, 27 de Dezembro de 2008

Periscópio: Consolaro na Cultura

Coluna Periscópio
O professor, escritor e cronista Hélio Consolaro foi confirmado ontem como o novo titular da Secretaria da Cultura de Araçatuba, para o governo Cido Sério. E já começou a montar equipe. Alguns nomes devem ser mantidos. Hélio quer democratizar o acesso à cultura e, para isso, faz planos para fixar parcerias, já que o atual orçamento da pasta não ajuda. Também espera pelo remanejamento de recursos de outras áreas. Consolaro vai se afastar da Folha e escreve, na edição de amanhã, seu último Ponto Cego, coluna de política que assina há alguns meses. Ele sabe que, a partir da posse, em 1º de janeiro, deixa de ser estilingue para virar vidraça. E o primeiro osso duro já começou a roer: o carnaval 2009.

45 e 25 - Bilac

Hélio Consolaro

Nas cidades menores, a cobra fuma quando se trata de política. A população radicaliza, mais que corintianos e palmeirenses. Assim, acontece em Bilac. Não só lá, mas como esse croniqueiro tem amigos bilaquenses, as fofocas chegam com mais facilidade a esta coluna.


Ser neutro, não ostentar bandeira em bambus em cidade assim, é ser tratado como extraterrestre. A pessoa vive a experiência de ser minoria, ficar marginalizada.

Em níveis nacional e estadual, PSDB (45) e DEM (25) são aliados, vivem de mãos dadas, tendo como inimigo comum o PT (13), mas em Bilac 45 e 25 são inimigos figadais.

A divisão chega até as missas. Se um fiel 25 senta-se ao banco da igreja e percebe que por lapso está ao lado de um 45, ele se muda de lugar. O sentimento de irmandade desaparece; perdoar, nem pensar. O cristianismo desaparece. Há apenas um aspecto positivo: não são hipócritas.

Segundo alguns amigos bilaquenses, essa rivalidade doentia não vai terminar bem. Tomara que não precise de uma tragédia para políticos e população descobrirem que o ódio não constrói a cidadania.

Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008

Descentralizar

Hélio Consolaro

Como neste Natal eu tive encontro com o futuro de Araçatuba, que é o prefeito eleito Cido Sério (PT), posso dar boas notícias à rede municipal de ensino.

A atual secretária de Educação, Sônia Mungo dos Santos, em entrevista a esta Folha, disse que o problema em sua pasta não é falta de dinheiro, mas quem faz as compras daquilo que as escolas precisam. O prefeito eleito garantiu a este croniqueiro que isso será resolvido, pois as secretarias da Educação e da Saúde farão suas próprias compras, porque descentralizar é preciso para que os objetivos sejam atingidos.

Ele também sabe que descentralizar é abrir mão de poderes e há o risco de haver corrupção nas licitações, mas garante que os secretários escolhidos serão gente séria. Além disso, prefere correr o risco da experiência.

Ousadia não falta ao futuro prefeito. Com simplicidade e simpatia da dupla, a administração Cido Sério (PT)/Carlos Hernandes (PDT) promete.

Quinta-feira, 25 de Dezembro de 2008

Jesus político

Hélio Consolaro

Quando Jesus nasceu, o povo judeu vivia sob o domínio do Império Romano, por isso aguardava a vinda de uma espécie de Che Guevara. Como há brasileiros que não se interessam por um Brasil independente e auto-suficiente, entre os judeus havia aqueles que até gostavam do domínio romano.

Não era o caso dos zelotes, que compunham a ala radical dos judeus e pensavam em libertação política, uma espécie de Teologia da Libertação. Jesus Cristo foi uma frustração. Como não havia o Estatuto da Criança e do Adolescente, o controle da natalidade era feito depois de a criança nascer, então, de vez em quando se fazia uma matança geral dos pequenos. Afinal, excesso de pobre sempre foi uma ameaça a quem está no ápice da pirâmide social.

Menino Jesus se salvou, mas se tornou um essênio, meio zen, bicho grilo para a frustração dos zelotes. O reino dele não era deste mundo, dai a César o que é de César. Definitivamente para os judeus, não era o messias. Era mesmo um Zé Mané, filho de um coitado que morava na periferia da cidade.

Feliz Natal, muita simplicidade.

Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2008

Só alegria

Hélio Consolaro

Este croniqueiro parece terrível, mas, na verdade, sou uma pessoa muito compreensiva, antes de condenar prefiro perdoar. O meu texto é muito mais substantivo do que adjetivo. Jogo com as palavras. Às vezes, navego nas águas furiosas do próprio leitor, esbravejo junto.

Cronista, chargista, humorista não tem partido. Ele é sempre um anarquista, dá pau até nos amigos. Se o mar estiver calmo, tento agitá-lo; se tiver agitado, tento acalmá-lo. Dentre nós, humanos, todos somos fdp, basta apenas descobrir quem é mais e quem é menos.

Então, se faz necessário ver, primeiramente, o próprio rabo. E antes de escrever esta coluna, sempre dou uma olhadinha no meu. E vejo que há muita palha.

Não chuto cachorro morto, saiu de foco, também cai no esquecimento aqui neste Ponto Cego. Sou apaixonado por que faço, mas como coluna política, procuro fazê-la desapaixonadamente. Confesso que nem sempre consigo.

Então, caro leitor, muita alegria e saúde nas festanças de Natal. Não se esqueça de que o aniversariante de amanhã se chama Jesus.

Terça-feira, 23 de Dezembro de 2008

O doente é um detalhe

Hélio Consolaro

Dizer que a saúde de um lugar está na UTI já virou lugar-comum. Quem acompanhou as páginas desta Folha na última semana percebeu que só há desencontros em Araçatuba. Isso tudo acontece porque o ex-prefeito, que administrou a cidade por quase oito anos, era médico. Não cuidava nem de sua própria saúde.

Não se pode negar que houve momentos de tranqüilidade na administração de Malulão (DEM), mas foram poucos. O Conselho Municipal de Saúde, que é deliberativo e devia fazer o controle social, não se comunica com a população, não vem dizer o que está acontecendo, não se percebe transparência em suas ações. Se há alguma discussão séria naquela instância, fica intramuros.

Notícias de morte de crianças no Hospital da Mulher, mortes de bebês na Santa Casa, idosos com cataratas demoram para ser atendidos. Mudança apressada do NGA que pode trazer transtornos aos usuários do SUS. Além disse, o prefeito eleito Cido Sério (PT) está com dificuldades para escolher um nome para ser o secretário da Saúde.

Muitos interesses. E o doente, coitado, é apenas um detalhe.